Corpo humano: Real e fascinante, ciência ou arte?

É para inovar? É para educar? Então está liberado, afinal, foi argumentado que o belo não é o objeto, mas o resultado da arte, mesmo que este não se conforme a idéia tradicional de beleza. Sinceramente, não sei mais se o que algumas pessoas chamam de arte não passa de uma estética do horror. Nem toda exposição deve ser necessariamente de arte. Talvez a exposição Corpos humanos: real e fascinante, que reuniu 16 corpos e 225 órgãos verdadeiros para revelar, em todos os seus aspectos, o funcionamento do corpo humano e seus sistemas, não seja mesmo uma obra estética ou artística, como alguns preferem designar, mas científica, porque na representação do belo, classicamente falando, essa exposição deixa a desejar.

Mas pelo bem da estética, Como diz o médico Glover, “a exposição foi projetada apenas para educar e ajudar as pessoas a aprenderem sobre seus corpos, por meio de meticulosa dissecação, preservação e exibição respeitosa de corpos humanos de verdade".Mas, Se a preservação e a exibição de corpos é respeitosa, não cabe a mim, julgar o trabalho mais científico do que artístico de quem só tem a intenção educar e de divulgar que algum dia ficaremos daquele jeito. Apenas os estudantes e profissionais ligados à área de saúde tinham oportunidade de conhecer o funcionamento do corpo humano e essa exposição não artística, mas sim cientifica e com caráter educativo, proporcionou aos visitantes, não só a oportunidade de conhecer, mas também de pode tocar órgãos internos reais.

Desse modo, a exposição teve uma função psicológica de preparar e educar o público sobre questões relativas à morte e de extrair o medo que muitos têm dela. Afinal, como diz o tema da exposição: a única coisa que o ser humano carrega desde seu nascimento até a sua morte, é o corpo. E por que não conhecermos como ele ficará quando não houver mais a possibilidade de vê-lo? Além disso, a exposição possibilita uma melhor compreensão de como maus hábitos ou doenças podem interferir em seu funcionamento, órgãos saudáveis e não-saudáveis são colocados próximos um ao outro para que seja possível fazer uma comparação. E "é inspiradora ao renovar o exercício do auto-conhecimento e oferecer a chance de compreendermos melhor nossa existência, para reeducar nossos próprios hábitos", lembra, Fernando Alterio, presidente da CIE Brasil.É real. Pode ser até artístico, mas de fascinante vejo apenas o impressionante funcionamento do corpo humano - que tecnologia nenhuma será capaz de reproduzir com tamanha perfeição - e a completa técnica de polimerização onde os corpos são embalsamados e recebem um agente de preservação que evita a decomposição normal dos tecidos resultando assim em uma espécie absolutamente seca, inodora e resistente à decomposição.

E uma reunião de corpos humanos incondicionalmente preservados para exposição.O corpo humano não deixa de ser uma arte, traços, linhas, cores, formas... É sem dúvida a maior obra-prima da natureza. Mas a impressão eu tenho ao ver aqueles corpos da exposição, é a de que eles estivessem gritando silenciosamente, quero dizer, por dentro. Aqueles corpos pareciam mais rascunhos do que arte final, caracterizando a exposição como big brother dos órgãos. Uma forma de olhar para dentro de nós mesmos e enxergar o quanto somos frágeis.Ao ver a exposição é comum ter a sensação de estar olhando cadáveres num laboratório de anatomia ou patologia de algum instituto medico legal, ou numa sala de necropsia.

Enquanto para uns aquilo é arte ou aula de ciências e para os organizadores são também, ossos do ofício, ou simplesmente mais um parto do pós-moderno?Os valores estéticos que perpassam o gosto contemporâneo tornaram-se verdadeiras pinturas abstratas. Cada um interpreta a sua maneira o que é ou não arte, o que é ou não belo. O culto ao corpo, agora disputa o espaço com o a sua execração. Com a demonstração de nossa fragilidade e da desarmonia adequada que existe para diferenciar o nosso interior do nosso exterior.A exposição causou muitas contestações devido a sua localização no campo de encantamento ou de banalização da morte e casou no exterior, discussões a cerca da origem dos cadáveres providenciados pela Escola Universitária de Medicina de Dalian, no norte da China. Houve especulações até hoje não comprovadas, de que os corpos seriam de criminosos executados. Mas os organizadores garantem que os corpos pertenceram a pessoas que tiveram morte natural e que em vida permitiram a doação de seus corpos em pró da ciência e educação.

Exposições como essa , que surpreendem e fascinam, mostra que as pessoas estão cada vez mais preparadas para o inesperado, o inusitado, o insólito, o curioso, o bizarro e todos os outros frutos do pós-moderno que possuem a missão de dar sentido, estrutura, e maiores possibilidades de dilatar a fruição da sensibilidade e da razão humana.

Comentários

fagocitose disse…
POR ISSO UE NADA NO BARSIL DÁ CERTO O QUE É ARTE A POPULAÇÃO VER COMO GRITOS E GEMIDOS DE PESSOAS QUE JÁ TIVERAM VIDA UM DIA ... SE HÁ GRITOS, HÁ DE ALEGRIA DESTES ANTIGOS PESQISADORES POR SABER QUE SEUS CORPOS ESTÃO REVOLUCIONANDO CIÊNCIA ALÉM DE ESTR AJUDANDO OS LEIGOS A TEREM UMA CONCEPÇÃO DIFERENTE DO QUE SEJA CIENCIA E DE COMO FUNCIONA O SEU PRÓPRIO METABOLISMO .